Caço o mistério
Da cultura
Que oculta
Dos homens
bons
Não há lugar
Para camaradagem
Naquele beco
Briga de lobos
cinzentos
Fêmea efêmera
Contemplando todos
Aqueles selvagens
Homens agora
Mortos
Era voyeur
Cigarro de cravo
Bateu as cinzas
Nos homens
cinza.
Chá de gengibre, para o dia chuvoso.
Radiohead, para a mente cinza.
Sem resposta, para o tormento.
Doença fraca, para estragar.
Talvez amanhã melhore.
Podem mudar de música
Ou só morrer nessa mesmo
Feriado é uma merda.
Vai estar frio, e não trouxe blusa
Não comprarei o vinho
Não terei um orgasmo.
Mas talvez amanhã melhore.
Não ficará sozinho na lucidez
Acompanho-te na realidade
Com liberdade em escassez
Agora daremos continuidade:
Já tentei escrever demais
Explicar-me
culpar-me
castigar-me
arrepende-me
Esperar cicatrizar
as linhas horizontais.
Perdi o fio da historia.
Mudei de assunto
Sem métrica ou método
cansei de procurar palavras
Vou esquecer o erro vermelho
Se as marcas deixarem.
Não foi tão fundo
Acreditava nisso
Agora tão imundo
E submisso
Não repetirei
cicatrizes
Faz-me um bem
Que lhe direi:
Machuca-se
quem me tem
O metal crepitante
Não abrirá o nude
Conseguirei pouco
Ser comigo rude.
Saia deste leito
E venha contar-me
do teu jeito
O que se passou
O que se passou
Diversão intencional
(acidental?)
Queria estar aí
(poderia estar aí?)
Talvez algo banal
nada mal
(no hospital…)
Acorde. Recorde.
Mande-me alguma voz
Acorde. Recorde.
Logo, por favor meu amor, logo…